segunda-feira, 21 de maio de 2007

SUSPENSÃO "UPSIDE DOWN"

Caros leitores a espera de vocês terminou. Depois de muito tempo resolvi agraciá-los novamente com um post de boa qualidade e recheado de informação. No começo foi difícil escolher o tema, mas como o meu ultimo post só recebeu um comentário e esse me fazia uma pergunta sobre quais as vantagens da suspensão dianteira "upside down", resolvi homenagear esse leitor curioso com uma série de explicações sobre as vantagens das novas tecnologias que vemos aplicadas nos lançamentos das motocicletas atuais. Espero agradá-los e receber tantos comentários como o ultimo post.

Resolvi falar de uma tecnologia por post. Para não ficar muito extenso e espantar vocês do meu blog. Vou começar pela suspensão "upside down" ou invertida, pois já escrevi um comentário sobre ela e portanto vai dar menos trabalho.

Esse tipo de suspensão surgiu nas motos de competição, primeiramente nas trilhas e depois nas pistas. Ela visa a redução de peso e melhor desempenho da suspensão. Isso é conseguido devido principalmente a dois motivos.

Primeiro, vamos entender do ponto de vista estrutural como funciona o garfo dianteiro. As mesas são as responsáveis pela fixação das bengalas no quadro. São nelas que as forças aparecem com maior intensidade e as bengalas funcionam como alavancas, e portanto quanto mais na ponta da bengala a força for aplicada, mais as mesas serão exigidas. Com os tubos da suspensão temos o mesmo raciocínio, eles devem ser rígidos o suficiente para não dobrarem e quanto mais próximo da mesa mais intensa é a força que normalmente é gerada na roda.

Portanto se analisarmos a suspensão convencional, temos que a parte interna é montada para cima, como a parte interna é mais fina que a externa, temos uma situação em que a parte da suspensão que recebe mais carga é a que possui menor espessura. Com a suspensão invertida temos a situação contraria, uma vez que a parte interna e mais fina esta na posição que recebe menos carga. E uma vez menos propícia a receber esforço, essa pode ser mais fina e portanto economizar em peso. De uma maneira bem "crua", podemos dizer que a espessura da parte externa de uma suspensão "upside down" equivale à espessura da parte interna de uma suspensão convencional (para uma mesma moto). Podemos estar falando de alguns quilos ou talvez até gramas, mas no mundo das competições onde poucos gramas de diferença podem significar uma vitória, essa diferença vale a pena.

Então temos que o conjunto já ficou mais leve por motivos estruturais. Olhando mais detalhadamente para o tubo interno (e agora inferior) da suspensão, esse, junto com a roda formam o conjunto que se move quando a suspensão trabalha (acompanhando as irregularidades da pista). A redução de peso desse conjunto foi ainda mais significativa, uma vez que não mais a parte externa e mais pesada da suspensão é a que se move. Agora ela esta fixa junto a mesa e é a parte mais leve da suspensão que se move junto com a roda. Menor peso quer dizer menor inércia desse conjunto, que resulta em uma maior eficiência, permitindo à roda acompanhar as irregularidades do piso mais facilmente.

Menor peso com melhor desempenho são razões suficiente para serem implantadas nas motos de competições. Nas motocicletas que utilizamos no dia a dia, as vantagens da suspensão invertida não chega a ser tão expressiva. Mas ela começa a ser utilizada pelos fabricantes, pois também contribuem para o visual e para o apelo tecnológico da moto, ajudando assim a conquistar o consumidor.